01/12/2016

Amor de Verão

Nessa vida somos sempre surpreendidos pelo destino, e em uma dessas surpresas conheci o Jorge. Lembro como se fosse ontem: Dezembro, férias, chuvas do verão tropical, um domingo agitado e uma viagem de última hora.
Não estava totalmente decidida se realmente queria viajar, dúvidas e incertezas me dominavam, mesmo assim embarquei naquele ônibus. Foi como o conheci, entrou quando estávamos quase dando partida e de início não fiquei feliz em ter alguém ao lado. Confesso que desejava ficar só e poder afundar nos meus pensamentos. Porém, ele mudou isso. Muito educado, demonstrou simpatia desde o primeiro instante e não demorou muito para já estarmos conversando. Sou bem comunicativa e se encontro alguém com a mesma qualidade, logo estou interagindo. Mas com ele foi além, até hoje me surpreendo, pois, as conversas fluíam naturalmente, conversávamos de tudo. Me contou sobre sua faculdade, descobertas, sonhos, viagens. Éramos tão semelhantes e diferentes ao mesmo tempo. Compartilhávamos ideologias, aspirações e desejos. Ele fazia o estilo hipster comunista e eu uma completa capitalista, ele lutador de jiut-jitsu e eu uma geek sedentária, ele bem seletista quando o assunto era música: fã do bom rock, mpb e modão de raiz, sem afinidade com o sertanejo universitário, já eu muito eclética, ouço de tudo e adoro uma agitação; ele das Ciências Biológicas e eu de Humanas. Ambos a favor da coletividade e contra qualquer opressão ou preconceito. Éramos como as forças Ying Yang, um completava o outro.
E aquela noite, sem dúvidas, se tornou pequena para nós, quase a viramos conversando. Ate que fui rendida pelo sono e comecei a adormecer, foi quando meu inconsciente ouviu um chamado e ao abrir os olhos me deparei com seus me observando ao mesmo tempo que pediam permissão para um beijo. Poderia ser cedo demais, mas não me importava, eu também desejava e assenti encostando meus lábios nos seus. Era incrível como até o nosso beijo combinava, era como se conhecêssemos cada canto da boca um do outro, pois elas se encaixavam perfeitamente. Adormecemos em um abraço e ao despertamos os primeiros raios de sol penetravam as janelas do ônibus. Restavam poucas horas para nosso Adeus, e provavelmente nunca mais voltaríamos a nos ver, mas a nossa preocupação naquele momento era curtir aqueles últimos instantes.
Fui a primeira a desembarcar, lhe dei um beijo de despedida e desci do ônibus. Por mim viajaria o mundo inteiro na sua companhia, sem me preocupar em ter um destino final. Mas a vida não é um conto de fadas e mesmo tendo vívido algo parecido nas últimas 12 horas, já tinha que retornar à realidade.
Devo admitir que essa foi uma das melhores experiências amorosas que já vivi, e considero o Jorge o meu primeiro amor de Verão. Depois daquele dia passamos a nos falar muito e encontrei nele uma amizade que quero levar para toda a vida. Ainda amo relembrar nossa história e não sinto falta ou necessidade em ter tido algo mais duradouro, porquê aquelas horas valeram muito.
Vez ou outra conversamos pela internet, ele deve está quase se formando na faculdade e retornando para sua cidade. Sempre curte as coisas que posto e quando vejo seu nome ou foto nas notificações o coração dá aquela acelerada e sou tomada por um sentimento nostálgico.

2 comentários:

  1. Thamy, escreva mais. Sua forma de descrever as cenas nos faz imaginar direitinho o que está acontecendo. Amei.
    Beijos.

    www.danivillela.com

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    1. Daaani, sua linda! Fico muito feliz que tenha gostado e pode deixar, escreverei bem mais! Obrigada pela visita e volte sempre <3 beijooos

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